O SEO nunca esteve tão desafiador e cheio de oportunidades. Neste artigo, revisito o passado e mostro como a IA generativa está redefinindo a busca.
Você vai entender como o SEO evoluiu, o impacto de recursos como o AI Overview e o query fan-out do Google, além das novas siglas que estão surgindo, como AEO, GEO e LLM SEO. Também mostro ações práticas para aparecer nos recursos de IA, diversificar a presença digital em redes sociais e preparar seu site para continuar relevante em um cenário em que a busca está cada vez mais fragmentada.
Um pouco de história
Quando começaram a surgir e ganhar força as novas siglas relacionadas ao SEO, rapidamente me veio à memória o início da minha carreira. Em 2007, quando passei a trabalhar profissionalmente com SEO de forma definitiva, lembro que não tínhamos nem de perto a quantidade de informações disponíveis hoje. Era difícil até encontrar fontes realmente confiáveis.
Na época, existiam alguns blogs internacionais, o site do grande Rodrigo Teixeira (https://marketingdebusca.com.br/) e muitos fóruns e grupos de discussão — era nesses espaços que os poucos profissionais brasileiros da área trocavam ideias e experiências.
Em um desses fóruns, lembro claramente (pena não ter feito um print) de um tópico sobre “o fim do SEO”. Curiosamente, já naquela época também havia discussões sobre possíveis novos nomes para a profissão, mas nada vingou.
O SEO daquela época mudou? Gosto de pensar que a profissão evoluiu, ganhou maturidade e passou por grandes transformações. Nos últimos anos, vimos mudanças significativas nos resultados de busca, mas nada se compara à revolução trazida pela IA generativa. Hoje, além de termos ferramentas que em 2007 pareciam impensáveis, muitas já vêm com inteligência artificial integrada, o que aumenta a eficiência, agiliza tarefas e potencializa resultados.
Um exemplo que sempre cito para meus alunos é de 2011, quando participei de uma equipe de SEO, em uma empresa referência nacional, composta por 15 profissionais. Atualmente, observo que, na maioria das empresas, o número de analistas é bem menor. Isso acontece porque o mercado se fragmentou: surgiram mais concorrentes, o número de profissionais cresceu e os projetos, que antes se concentravam em poucas empresas, hoje estão mais distribuídos. Além disso, muitos anunciantes passaram a contratar analistas de SEO internamente. Essa demanda crescente gerou um aumento no número de cursos e formações, fortalecendo ainda mais o mercado e tornando-o muito mais profissional.
AI Overview
A introdução de recursos como o AI Overview do Google trouxe novos desafios para o SEO. Agora, o mecanismo de busca exibe respostas diretas, principalmente em consultas de caráter informacional, o que fez com que muitos sites registrassem queda no número de cliques. Essa mudança altera a dinâmica da busca orgânica, exigindo que os profissionais adaptem suas estratégias para não apenas ranquear bem, mas também garantir que o usuário veja valor ao visitar o site, mesmo quando parte da resposta já está visível no próprio resultado do Google.
Diversos sites famosos na área do SEO, publicaram pesquisas relacionadas com os impactos daquilo que eles chamam de Zero Click Behavor.
Algumas novas siglas, oriundas das novas tecnologias como AI e Internet das Coisas surgiram:
O AEO (Answer Engine Optimization) é focado em mecanismos de busca tradicionais, como Google, Bing e assistentes de voz, com a proposta de conquistar espaço em featured snippets, People Also Ask e respostas por voz. Para isso, a ideia é trabalhar conteúdos no formato de FAQ, usar dados estruturados e entregar respostas diretas e objetivas, facilitando a vida de quem busca.
Já o GEO (Generative Engine Optimization) está voltado para mecanismos de busca movidos por inteligência artificial, como ChatGPT, Perplexity e o SGE do Google, com o objetivo de fazer seu conteúdo ser citado ou resumido nas respostas que essas ferramentas entregam. Aqui, a prioridade é criar textos de alta qualidade, semanticamente ricos, que realmente agreguem valor e estejam organizados de forma clara para que a IA entenda sem esforço.
Por fim, o LLM SEO (Large Language Model SEO) mira diretamente nos modelos de linguagem, como ChatGPT, Claude e Gemini, buscando aumentar as chances de que seu conteúdo seja aprendido, referenciado ou até recomendado pela IA, apostando em autoridade, clareza, contexto e uma boa densidade de informações para deixar o material impossível de ser ignorado.
Pensando no GEO, por exemplo, o Google utiliza o modelo query fan-out para responder a alguns prompts e às pesquisas, e isso está causando mudanças não apenas em como os usuários recebem informações, mas também como os sites precisam se posicionar para continuar relevantes.
Mais do que nunca, é preciso pensar de forma inteligente, diversificar canais e entender que o jogo do tráfego orgânico já não é exclusivo das páginas de resultados tradicionais.
O que é o Query Fan-Out e como ele muda a busca
O query fan-out é um processo que acontece quando o usuário realiza uma busca conversacional no Google — um verdadeiro prompt. Em vez de tratar a pesquisa como uma única palavra-chave, o sistema a fragmenta em múltiplas perguntas relacionadas.
Cada uma dessas perguntas é vinculada a diferentes tipos de fontes, como notícias, dados do mundo real, análises de produtos e previsões. A partir desse conjunto diversificado de referências, a inteligência artificial constrói uma resposta única e consolidada, reunindo as informações mais relevantes para o contexto da busca.
Por exemplo, se alguém pesquisar (exemplo do vídeo acima):
“Qual é a melhor época para agendar uma sessão de fotos no Boston Public Garden?”,
o Google não buscará apenas por “melhor época” ou “Boston Public Garden”. Ele gerará ramificações como:
- Condições climáticas ideais.
- Eventos que acontecem no local.
- Disponibilidade de fotógrafos.
- Sugestões de equipamentos.
Essas sub-buscas permitem que a resposta seja mais completa, mas também significam que a chance do seu site aparecer depende de estar presente em várias dessas ramificações, não apenas na palavra-chave original.
Em suma, o buscador realiza uma pesquisa abrangente por fontes de referência e, a partir delas, constrói sua resposta. Dessa forma, o usuário não precisa consultar diversas fontes, pois encontra todo o conteúdo necessário para solucionar sua questão em uma única fonte.
Como aparecer nos recursos de IA do Google
O próprio Google disponibiliza diretrizes para que sites possam ser usados como referência nos AI Overviews (documentação oficial). Alguns pontos fundamentais:
- Aplicar as práticas de SEO já conhecidas: não existe uma otimização específica só para IA, mas seguir os princípios do SEO técnico, de conteúdo e de experiência do usuário continua sendo essencial. Pense em conteúdo como clusters, que sejam úteis para o usuário em todos os seus momentos de procura. Um dos pontos mais discutidos pela comunidade é a importância de criar conteúdos que atendam às dores reais do público, e não apenas textos genéricos otimizados para palavras-chave. Isso envolve mapear os estágios de consciência do cliente (desconhece o problema, reconhece, busca solução, pronto para comprar), produzir materiais que conversem com cada estágio conectando a solução oferecida pela empresa às necessidades concretas do usuário, e utilizar exemplos, dados e diferenciais claros para se destacar do conteúdo produzido automaticamente por IA. Essa abordagem aumenta as chances de aparecer nas respostas do AI Overview, já que elas são baseadas em prompts ricos em contexto e detalhes.
- Liberar o rastreamento no robots.txt: não basta não bloquear — é importante permitir explicitamente o acesso a robôs de IA, incluindo user agents específicos.
- Engenharia de links internos: organize os links internos para guiar tanto o usuário quanto os mecanismos de busca pelos tópicos mais relevantes.
- Usabilidade e multimídia: enriqueça o conteúdo com imagens, vídeos, infográficos e outros recursos que aumentem o tempo de permanência na página e a compreensão do assunto.
- Dados estruturados consistentes: marque adequadamente o tipo de conteúdo (artigo, produto, evento) para que a IA identifique a natureza das informações de forma mais rápida.
Além disso, vale considerar integrações experimentais, como botões de resumo em IA, que direcionam para ferramentas como o Gemini, Perplexity, ChatGPT, entre outras, aumentando a probabilidade do conteúdo ser consumido via outros assistentes.
Mas o fato é que, embora tudo isso seja importante para aparecer no Google, e em mecanismos de busca de outras AIs, não dependa somente deles, afinal, colocar todos os ovos em uma só cesta, não é muito seguro!
Não dependa apenas do Google
Outro ponto central discutido foi que concentrar todos os esforços apenas no SEO para o Google (ou mesmo uma AI específica) é arriscado. O mercado já mostra sinais de saturação: aumento da concorrência, queda nos valores de contratos e alta competitividade no número de vagas para especialistas e novos contratos.
Por isso, é fundamental diversificar a presença digital:
- Redes sociais como mecanismos de busca: hoje, usuários pesquisam diretamente no Instagram, TikTok, LinkedIn e YouTube.
- Otimização interna das redes: uso de palavras-chave nas legendas, descrição de vídeos, tags, localização e até no texto das imagens.
- Busca em outras IAs: ferramentas como Perplexity, ChatGPT (com navegação), Claude e Bing Chat têm seus próprios critérios para citar fontes.

Na prática, isso significa que um termo pesquisado no Google pode mostrar primeiro um Reels do Instagram, e não a página oficial. Trabalhar o SEO dentro das plataformas sociais garante visibilidade mesmo que o clique final para o site seja menor.
Lembro que uns anos atrás era comum entrar no Google Analytics dos sites que eu analisava e, mesmo naqueles que não tinham um SEO maduro, a busca orgânica era o principal canal de acesso. Isso mudou nos últimos anos. Tenho visto muitos sites, onde o principal canal é oriundo de mídia paga. Embora não seja uma regra, o que era mais comum anos atrás, não parece mais tão frequente.
Significa que a busca orgânica ficou irrelevante? De jeito nenhum, apenas que outros canais começaram a ser explorados, através de uma busca pela diversificação de tráfego. Pense nisso.
Idéias práticas para ganhar espaço na IA e nas redes
- Adapte o conteúdo para busca conversacional
Simule prompts que seu público faria e crie conteúdos que respondam de forma completa e estruturada. - Crie hubs de conteúdo (topic clusters)
Organize seus artigos de forma interligada, garantindo que cada tópico relacionado tenha um link interno para o conteúdo principal. - Teste formatos de conteúdo gerado por IA + humanização
Use a IA como apoio para ganhar escala, mas revise, complemente com dados inéditos e dê seu tom de voz. - Invista em microartigos e legendas otimizadas
Nas redes sociais, trate as legendas como textos otimizados, contendo contexto, palavras-chave e chamadas para ação. - Monitore ferramentas emergentes
Plataformas como Manus.im estão ganhando espaço para análise de mercado e concorrência — estar presente nelas pode gerar tráfego adicional.
O futuro da busca e o papel do profissional de SEO
O cenário aponta para uma “plataformização” da web, em que cada grande empresa tenta manter o usuário dentro do seu ecossistema. Isso torna a disputa por atenção mais complexa e exige que os profissionais:
- Compreendam o funcionamento das principais IAs e suas fontes de dados.
- Adaptem formatos e distribuição de conteúdo.
- Trabalhem a marca como autoridade em múltiplos ambientes.
O “SEO raiz” — com boas práticas técnicas, conteúdo de qualidade e foco no usuário — continua sendo a base. A diferença é que, agora, ele precisa coexistir com uma estratégia multicanal e multiplataforma.
Conclusão
A IA generativa do Google, com seu modelo query fan-out, representa tanto um desafio quanto uma oportunidade. Posicionar um site nesse novo contexto exige não apenas conhecimento técnico de SEO, mas também a habilidade de entender o comportamento do usuário, criar conteúdo útil e diversificar a presença digital.
O profissional ou empresa que conseguir unir SEO tradicional, otimização para IA e presença estratégica em redes sociais e outras plataformas terá mais chances de não apenas sobreviver, mas prosperar na nova era da busca.